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1811usaLácteos – O que uma nova presidência dos EUA significa para a indústria de laticínios em todo o mundo e ao que ficar atento? Tem sido difícil extrair os principais objetivos políticos da retórica de campanha, mas abaixo descrevemos algumas questões que podem ser do interesse da indústria de laticínios agora que Donald Trump foi eleito.



Incerteza de curto prazo



A incerteza de curto prazo pode reduzir a confiança do comprador, reduzindo a, já fraca, demanda global. A incerteza também pode levar à volatilidade nos mercados monetários. Um vôo imediato aos refúgios tradicionais, como o iene japonês e a libra britânica, ocorre, mas, qualquer desvio contínuo no valor das moedas afetará potencialmente a competitividade dos exportadores de produtos lácteos. Notável foi o enfraquecimento do peso mexicano, em torno de 10%, deixando as 3,7 milhões de toneladas (2015) das exportações de lácteos norte-americanas para o México (em termos equivalentes a leite líquido) mais caros, provavelmente reduzindo a demanda. Outro efeito imediato foi a venda de ações que afetará as empresas de laticínios nas bolsas.



Questões de longo prazo



Talvez mais interessante do que a reação do mercado a curto prazo, serão as questões de longo prazo que podem surgir. Entre as declarações feitas por Trump durante a campanha, vimos a não ratificação do Tratado Transpacífico (TPP). Embora os impactos para os produtores de leite nos estados membros do TPP fossem relativamente pequenos e de longo prazo, a posição competitiva da Europa em relação aos membros do TPP, incluindo os EUA e Nova Zelândia, em mercados essenciais como o Japão, teria enfraquecido. É pouco provável que a Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP) aconteça. O TTIP teria fornecido o acesso dos EUA ao queijo europeu.



Qualquer renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) poderia interromper as exportações de produtos lácteos dos EUA para o México, com um efeito negativo para os processadores de lácteos dos EUA, mas poderia, ao mesmo tempo, proporcionar oportunidades para outras regiões de exportação. No extremo oposto do continente, a proteção tarifária da indústria de laticínios canadense – talvez tornando-se precária devido ao excesso de oferta de proteína de lácteos – pode ser reforçada novamente pela pouca oportunidade de conectar-se aos importadores nos EUA. Qualquer redução na imigração, devido a uma renegociação do NAFTA também pode ter um impacto sobre o aumento dos custos de trabalho para ambos os produtores e processadores americanos.



Em geral, dada a imposição de barreiras de proteção/tarifárias, já prevemos que a taxa de crescimento do comércio de produtos lácteos será menor nos próximos 5 anos. Dado os comentários de Trump sobre o comércio parece que esta redução na taxa de crescimento pode ser acelerada.



A inflação e o dólar



Qualquer alteração para estratégia fiscal mais expansionista e mudança potencial na liderança da Reserva Federal pode levar a níveis de inflação mais elevados e ao enfraquecimento do dólar norte-americano. Com o tempo, isso poderia alterar o equilíbrio da concorrência, incentivando as exportações dos EUA, mas, também faria com que os lácteos fossem mais acessíveis a mercados em desenvolvimento, que hoje se esforçam muito para pagar os lácteos em decorrência de moedas desvalorizadas dos mercados emergentes em relação ao dólar norte-americano.



Muito tem se falado a respeito do futuro relacionamento entre o Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. O estreitamento das relações com a Rússia pode significar o fim do embargo comercial. Antes do embargo, a Rússia era o segundo maior importador de produtos lácteos, importando 440.000 toneladas de queijo em 2013. Grande parte das importações da Rússia originaram-se da Europa no passado, mas há uma chance de que a Europa não se beneficie com a melhora das relações Rússia/EUA. A Rússia, prefere manter as sanções, devido à situação na Ucrânia. Nesse caso, o setor lácteo os EUA pode beneficiar-se mais do que as contrapartes europeias.



O comércio com a China



Talvez a maior preocupação é a deterioração potencial do comércio entre os EUA e a China. Com base em dados de 2015, o excedente comercial da China com os EUA representou cerca de 2,4% do PIB e o investimento dos EUA na China representou 0,7% do PIB. Potencialmente, vemos 3,1% do PIB da China em jogo se os EUA ficarem extremamente protecionistas. Isso seria significativo do ponto de vista chinês, e, a “guerra comercial” resultante, certamente, criaria um efeito de propagação para distintas economias.



Uma situação verdadeiramente negativa para os preços do mercado de commodities lácteas. Seria um duplo golpe: combinação de contração da demanda de produtos lácteos na China (ao invés de apenas uma desaceleração como vemos agora na demanda chinesa), e, uma grande desvalorização do yuan chinês (CNY) contra o dólar dos EUA. O Rabobank estima que uma desvalorização de 10% do CNY poderia traduzir-se em cerca de 15% o lucro médio das indústrias de laticínios, antes dos impostos. Além de tudo isso, a contração das vendas poderia prejudicar o incentivo ao crescimento operacional. No entanto, do ponto de vista puramente monetário, justificaria o abastecimento de uma maior proporção de matérias-primas provenientes de fazenda leiteiras chinesas, reduzindo a demanda por importações.



Alterações Climáticas



Acordos globais sobre as mudanças climáticas têm sido minimizados na retórica eleitoral. A redução de compromisso dos EUA sobre as alterações climáticas pode diminuir o entusiasmo dos outros. Isto pode, por sua vez, talvez, e, infelizmente, resultar em menos pressão ou incentivo para proporcionar mudanças sustentáveis no setor lácteo.



O mercado vai esperar para ver o que ocorrerá nos próximos meses. Até então corremos o risco de sermos excessivamente reacionários.



 




Fonte: Portal Lácteo
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