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Após virar um importante recurso de combustível e até para pneus, agora a soja é a nova aliada no combate à AIDS. Pesquisadores da Embrapa e do Instituto Nacional de Saúde (INH) desenvolveram um sistema que conecta uma proteína na semente de soja para gerar um medicamento que impede a reprodução do vírus HIV, causador da AIDS.



O processo produz uma soja geneticamente modificada (transgênica). “A proteína cianovirina é inserida no genoma da soja e serve como uma prevenção para a contração, pois se liga à parede do vírus, que não consegue se multiplicar”, afirma Elibio Rech, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e conselheiro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).



O especialista explica que o medicamento produzido a partir da soja é desenvolvido na forma de gel e deve ser utilizado pelas mulheres na região vaginal antes do ato sexual. A ideia é que a alternativa seja amplamente utilizada na África, como forma de prevenção, já que o continente tem a maior incidência da AIDS do planeta.



O estudo foi premiado no dia 15 de novembro pelo Consórcio Federal de Laboratórios do Médio-Atlântico (FLC MAR). O trabalho, demonstrado e publicado em artigo no ano de 2015, mostrou que sementes de soja geneticamente modificadas são uma biofábrica viável para produção, em larga escala, da proteína extraída de cianobactérias (microrganismos chamados de algas azuis), sendo eficiente contra o vírus que pode levar ao desenvolvimento da AIDS.



Contra a Aids: gel feito para mulheres



O projeto tem como meta a distribuição gratuita na África. “A mulher acaba tendo poucas opções [de prevenção], e se o homem se recusar a utilizar preservativo, ela tem essa opção”, explica. Isso não impede, contudo, que no futuro o recurso seja utilizado também para a prevenção e tratamento de homens. “Existem estudos em macacos e macacas que indicam a eficiência da cianovirina na inibição da replicação do HIV”, completa.



Para a distribuição do gel no continente africano, foi realizada ainda uma parceria com o Conselho Pesquisa Cientifica da África Do Sul. Contudo, a estimativa de entrada no mercado depende ainda da parceria com um laboratório para a produção em larga escala, o que dificulta uma previsão de lançamento no mercado.



“Tecnicamente, o mais difícil nós já realizamos. Mas agora dependemos de interesses políticos, farmacológicos. É uma fase do desenvolvimento em que existem questões que não são puramente técnicas”, diz o cientista.



O cientista conta que, a princípio, esse medicamento não será um retroviral utilizado no tratamento após a contração do vírus, nem para a produção de uma vacina. “Possivelmente existem outros candidatos melhores [para uma vacina], mas abre possibilidades de juntar a cianovirina com outro anti-viral”, conta. Por outro lado, a inovação também pode ser capaz de combater a reprodução de outros vírus, como influenza (causador da gripe) e hepatite. 



Soja brasileira



Atualmente, a produção do gel está sendo realizada no laboratório da Embrapa em Brasília, com a coordenação de Elibio Rech, que enfatiza: “Essa soja não é, nem será, utilizada na cadeia alimentar humana ou animal. É uma semente tratada com regulamentação distinta, produzida em locais de vegetação controlada”.



O pesquisador explica que, devido à especificidade, esse produto geneticamente modificado não pode ser produzido em lavouras comuns: “Não vai chegar às nossas mãos do consumidor. É feito em condições de contenção”. Além disso, A semente de soja utilizada no combate à AIDS é brasileira, segundo o cientista, que revela ainda um pouco do histórico do projeto, que iniciou em 2016:



“O INH descobriu a cianovirina em algas no oceano. Coletaram várias e fizeram testes que mostraram a eficiência no impedimento à multiplicação do vírus HIV. Em uma visita que fiz aos Estados Unidos, discutimos a possibilidade de fazer essa proteína [a partir da soja] porque a Embrapa possui patente de engenharia genética de soja. Então, resolvemos, em colaboração, inserir o gene na semente da soja”. 



O pesquisador da Embrapa espera que a técnica seja repetida com várias outras moléculas, para emprego em vacinas contra a dengue e malária e em tratamentos contra o câncer de mama, por exemplo.




Fonte: Gazeta do Povo
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