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É claro que sem o fator terra não se faz a agricultura, pecuária, fruticultura, horticultura, silvicultura, pois, se aprende nas ciências agrárias que a economia rural se fundamenta em três pilares; terra, trabalho e capital. Pois bem, estudos desenvolvidos pela Embrapa, com base no Censo Agropecuário de 2016, até que venham os resultados finais do Censo 2017, em andamento, os ganhos de produção e produtividade das safras agrícolas brasileiras foram devidos em 68% à adoção de tecnologias; 22% ao trabalho qualificado; e apenas 10% relativos ao fator terra. Esse cenário é mensurável?



Claro que sim, na safra agrícola 2017/2018, 6º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), foram cultivados apenas 61 milhões de hectares com grãos, cereais e oleaginosas ou 7,16% do território nacional, em seus 851,6 milhões de hectares. Minas Gerais segue essa mesma lógica, com o cultivo de grãos em 5,63% do território mineiro, que é de 58,6 milhões de hectares. O que explica esse desempenho numa série histórica?



Entre outras condicionantes, os mercados, ganhos de produtividade, as tecnologias geradas pela pesquisa agropecuária, o crédito rural, e a adoção de inovações pelos agricultores mineiros e brasileiros, não subestimando uma regular distribuição das chuvas ao longo do desenvolvimento das principais culturas de grãos no Brasil. Entretanto, o País abriga uma outra singularidade para além da agricultura; pode produzir, processar, abastecer, e exportar outros alimentos o ano inteiro por consequência de vários fatores climáticos que se associam nos diferentes estados produtores no eixo do agronegócio, sem excluir os produtos de base florestal indispensáveis ao comércio por vias internas e nas exportações.



Além disso, se na safra agrícola 2017/2018 se mantivesse a produtividade média de grãos havida de 1.258 quilos por hectare em 1976, para se colher 227,9 milhões de toneladas de grãos (Conab-6º Levantamento), a área de plantios seria de 181,1 milhões de hectares. O que significaria isso na prática? Maior pressão antrópica sobre os recursos naturais, em nível nacional, o que deveria exigir, por outro lado, boas práticas de proteção do solo, da faúna, flora, e dos recursos hídricos, diante desse cenário agrícola presumível e adicional de mais 120 milhões de hectares de terra.



Os ganhos de produtividades nas culturas, se houver rentabilidade econômica, obviamente também nas criações, podem superar as expectativas mais otimistas. O produtor Marcos Seitz, de Guarapuava (PR), em 2017 venceu o concurso promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) ao obter 149,08 sacas de soja por hectare ou 8.944,8 quilos em 10 hectares cultivados, não irrigados, na sua propriedade de 1.100 hectares, sendo a média nacional de 50 sacas de soja por hectare, e ao usar tecnologia de ponta. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, depois dos EUA.

Contudo, segundo o pesquisador da Embrapa, Eliseu Alves; “Sem lucratividade, não há ganhos de produtividade. Com o passar do tempo, o aumento da produção pode erodir a lucratividade, sem exportações. Este é o efeito mercado. Assim, lutar pelas exportações é prioridade da política agrícola.”



Outrossim, na integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF), contida no Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC/MAPA), fundamentada numa mesma área de pastagem degradada, se podem conciliar a produção de leite, carne, as pastagens, a oferta de grãos, e o plantio de eucalipto para diversos fins, com ganhos de produtividade, bem como recomenda outras práticas e tecnologias integradas. Em nível nacional, a ILPF já consolidou 11,6 milhões de hectares, e sem a demanda por novas áreas agrícolas (MAPA).



Noutro ângulo, sem detalhamentos e durante 5 anos, na Fazenda Urupês, em São Paulo, a laranja Hamilin, não irrigada, produziu 30,4 toneladas em média por hectare, e a irrigada 61 toneladas, aumento de 100,6%; a laranja Valência, não irrigada, 21,4 toneladas, e a irrigada 36,4 toneladas por hectare, mais 70% (Agrofit). Ganhos de produtividade. O Brasil lidera a produção mundial de laranja, e do suco.



E mais; o produtor Rafael Moreno, de Santo Ângelo (RS), que planta o milho irrigado via pivôs, há 12 anos, colheu em 258 hectares a média de 240 sacas por hectare ou 14.400 quilos (Canal Rural/2017), e a média nacional, safra 2016/2017, foi de 5.522 quilos por hectare (Conab), e com essa produtividade média teria que plantar 672,8 hectares, e não 258 hectares. Economia do fator terra e proteção da biodiversidade. 




Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro agrônomo
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