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Uma das principais dificuldades no controle da BVD é o nascimento de bezerros e novilhas chamados de PI’s (persistentemente infectados).






Com 77 mil litros de leite por dia e um plantel de 4,3 mil cabeças (entre vacas em lactação, secas e novilhas, todas holandesas), a Fazenda Colorado, em Araras, interior de São Paulo, é simplesmente a maior produtora individual de leite do Brasil.



“Hoje, a BVD é a doença com maior impacto econômico no mundo, não só no Brasil. E muitas fazendas acabam não fazendo nada, convivem com ela. Sempre tem um animal doente, que vai jogando o vírus no ambiente”, diz o gerente da Fazenda Colorado, Sérgio Soriano.Entretanto, nem todo o investimento em tecnologia, manejo e sanidade foi suficiente para livrar a propriedade de uma das principais enfermidades que atacam rebanhos de corte e de leite em todo o mundo: a Diarreia Viral Bovina, ou BVD na sigla em inglês.



 


Sérgio Soriano: “o problema é se eu cuido e o meu vizinho não está nem aí para nada, se aquela vaca dele vem para cá e traz o vírus para dentro da minha fazenda. Por isso, a movimentação de animais é muito preocupante”.


Não é exagero dizer que, onde se tem bois e vacas, muito provavelmente a BVD estará ali, circulando. A doença – diagnosticada pela primeira vez na década de 1940 – ocorre no mundo inteiro. No Brasil, atinge todos os estados, em mais de 90% das propriedades.



A diarreia viral bovina ataca o gado em três frentes principais: nos sistemas respiratório, reprodutivo – provocando abortos, inclusive – e imunológico. Com a imunidade baixa, a ‘porteira’ do organismo fica aberta para outras enfermidades. Por isso, inclusive, é muito difícil mensurar o real impacto econômico da BVD, que não tem cura e, dependendo do tipo do vírus (existem o Tipo 1 e o Tipo 2), apresenta até 50% de taxa de mortalidade.



Mesmo em propriedades altamente tecnificadas, como a Fazenda Colorado, o rebanho chegou a contrair a BVD.


“Os sinais clínicos da BVD são bastante variáveis de acordo com a imunidade do animal quando da infecção e virulência da cepa infectante. Febre, diarreia e prostração estão entre os sinais frequentes nos casos de animais imunocompetentes. Sinais reprodutivos como má formação fetal, infertilidade, repetição de cios, natimortalidade e abortos podem estar presentes, bem como sinais respiratórios e intestinais graves nos casos de animais jovens ou imunodeprimidos”, exemplifica o gerente de saúde animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Rafael Gonçalves Dias.



Os animais infectados que sobrevivem sofrem para ganhar peso e, no caso das vacas, a produtividade cai e a qualidade do leite piora pelo aumento do número de células somáticas, que apontam para inflamações e infecções. Por isso, eles acabam sacrificados. “Os prejuízos diretos, decorrentes dos sinais reprodutivos, são os mais representativos, em especial na cadeia leiteira. As perdas relacionadas aos casos fatais por infecções secundárias decorrentes da imunossupressão do rebanho, apesar de em menor número, também são representativas”, salienta Dias.





 


Os animais infectados que sobrevivem sofrem para ganhar peso e, no caso das vacas, a produtividade cai e a qualidade do leite piora.


Uma das principais dificuldades no controle da BVD é o nascimento de bezerros e novilhas chamados de PI’s (persistentemente infectados). Isso acontece quando a vaca entra em contato com o vírus entre 40 e 120 dias da gestação.



O filhote, então, vai nascer imunotolerante, ou seja, não vai responder às vacinações. Como, em muitos destes casos, a doença acaba não sendo percebida, pois não tem sintomas aparentes, o animal se torna uma fonte constante de contaminação dentro do rebanho e praticamente por tudo quanto é via: ar, fezes, urina, sêmen, água, leite… E não se engane: mesmo bois e vacas premiados, com altíssimo potencial genético, podem ser PI’s.



Hoje, a forma mais eficaz de combater a enfermidade é avaliar o rebanho minuciosamente, controlar a entrada de novos animais e cuidar da vacinação.



Inovação



Recentemente, a multinacional alemã Boehringer Ingelheim, especializada em saúde animal, lançou no Brasil a Bovela, uma vacina que promete proteção total e redução das perdas de produtividade durante os períodos de aplicação. O produto levou 17 anos para ser desenvolvido, foi testado em mais de 50 mil animais e já era vendido na Europa.



O gerente de produtos Fernando Dambrós explica que o antígeno da Bovela é um vírus vivo e modificado, que vai se multiplicar no organismo – sem gerar quaisquer danos ao animal – e estimular a produção de anticorpos.


O médico veterinário e gerente de produtos da companhia, Fernando Dambrós, explica que o antígeno da Bovela é um vírus vivo e modificado, que vai se multiplicar no organismo – sem gerar quaisquer danos ao animal – e estimular a produção de anticorpos. Por isso, garante, ela dispensa a dose de reforço e minimiza o impacto econômico do tempo em que os animais ficam parados, além de apresentar proteção de 100% contra os PI’s.



“As vacinas contra BVD disponíveis no mercado eram todas inativadas [com cepas mortas do vírus]”, afirma Dambrós. Os componentes desse tipo de vacina, pontua, “acabam gerando uma queda na produção de leite, o animal sente a vacinação. Há queda na produção, alguns inclusive ficam de dois a três dias prostrados. No dia da vacinação e mais dois ou três dias, o animal vai produzir de 10% a 15% de leite a menos.”



Para o gerente da Fazenda Colorado, o novo produto é mais uma ferramenta de combate. Porém, não é capaz de resolver o problema da BVD por si só. “Há alguns anos, a gente parou de comprar animal de fora e avaliamos todos os bezerros, para ver se nascem PI; a nossa ideia é não deixar a doença entrar, eliminados os doentes e ter um programa de vacinação para o rebanho inteiro”, conta Soriano. “O problema é se eu cuido e o meu vizinho não está nem aí para nada, se aquela vaca dele vem para cá e traz o vírus para dentro da minha fazenda. Por isso, a movimentação de animais é muito preocupante. É possível erradicar? É. Mas nem todos estão dispostos.”






Fonte: Portal Lácteo
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