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A produção de leite de abril pode dar uma surpresa agradável. Nas bacias leiteiras, como em torno de Tarariras, a seca ficou para trás e os pastos ficaram verde, permitindo o pastejo das vacas, o que representa mais produção.





O desempenho não é uniforme. Os grandes e eficientes produtores que entregam para a Conaprole a equação fecha. O resto luta. A cooperativa – que capta a maior parte do leite produzido no Uruguai – mantém preços satisfatórios, mas, as pequenas e médias empresas não podem pagar o mesmo. O setor lácteo continua lutando, a captação da Conaprole no primeiro trimestre do ano aumentou 8%, e a situação climática melhorou nos últimos dias, mas, o setor continua atravessando uma situação complexa com um endividamento que supera US$ 570 milhões, sendo US$ 316 milhões dos produtores, e US$ 256 milhões das indústrias.



A decisão de continuar ou não



Como na agricultura, o financiamento para muitos é a diferença entre seguir ou não.



A melhora no preço pago pelas indústrias aos produtores em relação ao ano anterior não resolve o problema do endividamento das fazendas, o que também envolve a indústria de laticínios.



O preço ao produtor ficou praticamente inalterado durante um ano. Em fevereiro deste ano, segundo o Inale está 1% acima do valor de fevereiro de 2017. É um preço sensivelmente melhor do que o terrível 2016. Os preços atuais estão 29% acima, em pesos nominais, mas, estão abaixo dos valores nominais de 2014, quando o produtor recebia mais de 10 pesos por litro de leite produzido.



O preço do leite mudou mais pela composição dos sólidos – matéria gorda e proteína – do que por decisões das empresas. Assim, nos meses de menor produção mas, com concentração de sólidos, o preço fica perto de 10 pesos por litro, e em meses de maior volume recua para 9 pesos por litro.



 





A realidade atrás dos preços



Esses preços médios escondem uma persistente defasagem entre o pagamento feito pela Conaprole paga, e o preço praticado por indústrias menores, que atravessam situações financeiras angustiantes, ou cujos números não fecham se pagarem mais.



Os médios e pequenos produtores, especialmente os que fornecem para indústrias pequenas, são os que estão em condições piores. Enquanto o preço médio pago pela Conaprole, em março foi de 10,23 pesos/litro – com 3,9% de matéria gorda e 3,47% de proteína – as empresas pequenas remuneram com valores menores.



A captação da Conaprole cresceu 8% no primeiro trimestre, mas, a captação geral foi menor. Isto indica que o resto do setor não está crescendo. Em fevereiro a captação aumentou 5% (126 milhões de litros) segundo dados do Instituto Nacional do Leite (Inale) e a entrega na Conaprole aumentou 10%, em março, em relação a um ano atrás, principalmente devido às boas condições em que ocorreram as parições de outono. Alejandro Pérez Viazzi, vice-presidente da Conaprole, disse que abril vem sendo um mês recorde. Na primeira quinzena a captação ficou 16% acima da do mesmo período de 2017, e no acumulado do ano, já está 9% maior do que a captação do ano anterior. São entregues na fábrica 3,5 milhões de litros de leite por dia. Pérez Viazzi atribui a maior produção a vários fatores: “com o aumento dos custos o produtor precisa ser mais eficiente para cobrir os gastos. A reposição animal tem um valor baixo em comparação com a médias histórica porque os produtores estão comprando animais jovens, e por último as melhores condições climáticas”.



No acumulado de 12 meses encerrado em fevereiro, o volume captado alcançou 1.893 milhões de litros, 6% acima dos 1.782 milhões no acumulado entre março de 2016 e fevereiro de 2017. Mesmo não havendo melhor relação em dólares para a compra de insumos, o período seco exigiu o aumento do uso de rações e concentrados. Dario Jorcin, produtor de leite de Colonia, disse que “financeiramente existe um problema sério, muitos produtores não pagaram as rações, compras de bezerras, nem silagem. O preço teria que ser pelo menos 10% maior para pagar as dívidas operacionais, se não será muito difícil que se possa pagar no curto prazo”.







Condenado a produzir menos



Horacio Leániz, presidente da Câmara Uruguaia de Produtores de Leite (CUPL), afirma que o setor, com as relações de preços atuais, está condenado a produzir cada vez menos leite. Esta situação é menos evidente em bacias tradicionais, vinculadas à Conaprole, “mas o setor produtivo mostra condições de sobrevivência absolutamente comprometida”. A Conaprole, pelo fato de haver superado os concorrentes e demonstrado que muitas indústrias estrangeiras não estavam aptas a produzir leite no Uruguai, caminha para um monopólio. Em relação ao cenário externo, uma Argentina cada vez mais competitiva, uma importante dependência do Brasil e sem captar novos mercados fora da região são indicadores de um setor comprometido, diz Leániz.





Uma crise com mais de três anos



A produção de leite no Uruguai se recupera gradualmente desde 2017, depois de três anos consecutivos de baixa, mas a recuperação, por enquanto, não é suficiente para reduzir concretamente os passivos gerados e assim deixar para trás os revezes do setor desde 2014. Para Leániz, o começo da crise foi o anúncio do fechamento da Ecolat em outubro de 2014, que já estava implícito o problema da Venezuela, e foi o preâmbulo para todas as medidas posteriores: a venda da Indulacsa ao grupo Lactalis, a retirada da Schreiber do mercado e a tendência da Conaprole receber todo o leite excedente do resto das indústrias. Como consequência, o setor teve uma queda violenta da qual ainda não se recuperou. Ainda que a captação esteja maior, a situação das indústrias pequenas é preocupante, mas “um naufrágio sempre resulta em um sobrevivente ou um desaparecido”, disse Leániz.



Apesar de tudo, existem razões para apostar na sobrevivência.





No primeiro trimestre do ano a captação da Conaprole aumentou 8%.



O mercado internacional está firme



Um mercado internacional estabilizado foi visto esta semana. Depois de quatro leves baixas consecutivas, os lácteos conseguiram uma recuperação no leilão da Fonterra. O Índice subiu 2,7% com o valor de US$ 3.587/tonelada. O leite em pó integral conseguiu o segundo melhor resultado dos últimos 12 meses com a média de US$ 3.311 por toneladas, e aumento de 1%. A comparação interanual mostra elevação de 10,4%. A tonelada de leite em pó desnatado subiu 3,6% e fechou a US$ 1.913 a tonelada. O queijo cheddar subiu 4,6%, e a manteiga – a protagonista dos dois últimos anos – subiu 2,9%. Mas, em decorrência dos anos de crise, as exportações do Uruguai por enquanto não refletem o aumento que está sendo visto na captação. O Uruguai exportou menos lácteos no primeiro trimestre deste ano, em relação a um ano atrás. Entre janeiro e março os pedidos de exportação totalizaram 45.853 toneladas, 10% menos em relação às 50.709 toneladas de igual período do ano passado, de acordo com dados da Alfândega. O faturamento também caiu 10%, US$ 16,5 milhões, com redução acentuada das vendas para o Brasil. Apesar disso, os lácteos, em valor, ocuparam o terceiro lugar entre os principais produtos exportados no primeiro trimestre do ano. Neste ano, a Argélia é o principal destino dos lácteos uruguaios, tanto em volume como em valor. O faturamento foi de US$ 38,7 milhões, representando 28% das exportações totais. Em volume, as remessas foram de 13 mil toneladas, 28,6% do total. Em segundo lugar ficou o Brasil com compras de US$ 35,8 milhões – correspondente a 26% do faturamento total – e um volume de 10.796 toneladas, 23,5% do total.



A demanda asiática é um fator chave para o futuro do setor. A China, com vai e vem continua crescendo e consegue aparecer entre os principais compradores em volume. Foi o terceiro principal destino, com pedidos de 3.225 toneladas (US$ 7,7 milhões). O principal produto exportado foi o leite em pó, mas também são vendidos manteiga e queijos. Por enquanto em volumes reduzidos, mas, que sabe os lácteos conseguem dar um salto similar ao dado pela carne bovina na China.






Fonte: Portal Lácteo
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