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Armando Rabbers



Mundo do Leite: O senhor foi um dos pioneiros na adoção da ordenha robótica no Brasil. Depois de todos esses anos, o que mudou com a adoção dessa tecnologia?



Armando Rabbers: Antes de implantar a ordenha robótica nós fizemos viagens técnicas para a Europa para saber quais as vantagens que essa tecnologia proporciona para o colaborador e também, e principalmente, para as vacas. A ordenha robótica é uma ordenha diferenciada porque é uma ordenha de fluxo por quarto. Assim que termina o fluxo de leite daquele quarto, o equipamento saca a teteira fora, marca o peso e a qualidade do leite daquele quarto. Para mim, o primeiro motivo para o investimento foram as informações que ele traz na produção de leite e o que isso pode favorecer para a gente fazer os controles e verificar a saúde do úbere de cada animal e diagnosticar se em algum quarto tem problema de mastite subclínica. Não a clínica. A clínica você vai ver que está inchado, tem grumos, essas coisas. E como a máquina te dá todas as informações a gente consegue identificar 90% das mastites subclínicas e isso é uma grande vantagem.



Outra é que a vaca fica bem tranquila dentro do confinamento, o bem-estar é grande, porque ela é quem decide quantas ordenhas quer fazer no dia, ou a hora que ela gostaria de ser ordenhada. Nos outros sistemas tem um horário fixo de ordenha. A vaca se adapta muito facilmente ao sistema da ordenha robótica e os colaboradores não tem mais o trabalho de fazer a ordenha. O colaborador, com o programa, identifica qual foi o consumo do animal, a produção de leite, a saúde do úbere, vai verificar dentro do confinamento como essa vaca está se comportando, se ela está bem. Ele pode ajudar mais na limpeza do confinamento, deixar o confinamento sempre limpo. Principalmente pra mim, com a experiência que eu criei com esse tempo como produtor de leite, 90% das mastites são mastites ambientais. Então não é por causa da instalação da máquina de ordenha, mas sim pelo ambiente em que ela se encontra. Geralmente, quando as vacas eram criadas a pasto, na época de chuva havia incidência maior de mastite. Por causa da umidade, barro. Então a gente faz questão de que as vacas estejam sempre em camas limpas. Em relação à alimentação, ela recebe várias vezes por dia, mas mesmo assim o colaborador consegue fazer tudo com mais tranquilidade. Nós também capacitamos sempre os funcionários para verificar os sinais que as vacas dão em função do ambiente.



O horário de trabalho muda muito também. Os outros têm que começar de madrugada e termina às vezes tarde da noite se é três ordenhas, ou tem turnos para fazer essa ordenha. Como eu tenho 140 vacas em produção, com três turnos de funcionários talvez não seria economicamente viável, com duas ordenhas seria o mais certo. Mas hoje praticamente me considero como um produtor com três ordenhas, inicio o trabalho às sete e meia e termino às cinco horas. Isso também favorece para o colaborador: um horário mais tranquilo, enfim, tem várias vantagens. Comecei em outubro de 2012 e estou muito contente com o sistema.



ML – Mesmo com o custo do equipamento, compensa…



AR – Geralmente o produtor faz primeiro o orçamento do custo do equipamento para fazer a ordenha, e às vezes esquece das instalações. Hoje, no sistema de ordenha robótica, a área em metros quadrados de construção é bem menor que um outro sistema tradicional. Você tem uma linha de cocho para três fileiras de cama. No sistema tradicional são uma linha de cocho para duas fileiras de cama. Você não tem a área de espera, grande, para acomodar 40 a cinquenta animais, que têm que ser ventilados e refrescados senão você acaba perdendo todo o efeito do bem-estar que você está proporcionando dentro do confinamento. O tempo de levar os lotes do confinamento para a área de espera geralmente é de uma hora e meia, e no sistema confinado isso é bem mais rápido, então você acaba proporcionando bem-estar melhor para o animal também. Com isso, eu acredito que a longevidade das vacas aumenta nesse sistema também. Talvez, no orçamento, no curto prazo, a ordenha robótica perde para os outros sistemas, mas a médio e longo prazos ela é mais viável.




Fonte: portaldbo.com.br
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