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Cobre é a medida mais eficiente, e a combinação com quebra-vento é essencial para produção de frutos de mesa



Chegou ao fim uma pesquisa inédita e de grande escala realizada pelo Fundecitrus para mensurar a importância das medidas de manejo integrado do cancro cítrico e seu impacto sobre a produção. O estudo comprovou que a instalação de quebra-vento, aplicações de cobre e controle do minador dos citros promovem diferentes níveis de redução da doença. O efeito destas medidas de controle, testadas em oito combinações diferentes, foi avaliado durante três safras em relação a incidência de sintomas em folhas e frutos, produtividade e perdas de produção.



“Todas as medidas contribuíram para a diminuição dos índices de cancro cítrico”, afirma o pesquisador do Fundecitrus Franklin Behlau, responsável pelo estudo. “O trabalho evidenciou que o potencial de perda pela doença pode ultrapassar um terço da produção e que a adoção das medidas de controle pode reduzir essas perdas a níveis pouco significativos”, conta.



O estudo demonstrou ainda que quebra-vento e cobre são as ações mais importantes. “Quando essas duas medidas são combinadas, a incidência de folhas e frutos com cancro cítrico e a redução da produção pela doença são mínimas. Quando são usados de forma isolada, no entanto, têm desempenhos intermediários”, diz o pesquisador.



A combinação de quebra-vento e cobre foi mais eficiente do que os outros tratamentos para todas as variáveis avaliadas. Plantas que receberam estas medidas simultaneamente apresentaram redução próxima ou superior a 90% na incidência de cancro cítrico em folhas, frutos colhidos e perda de produção, bem como produtividade – acumulada nas três safras – 113% e 120% maiores quando comparadas às das áreas sem manejo.



O experimento foi instalado em 2010 e avaliado de 2015 a 2017 na estação experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Xambrê, região oeste do estado. Antes de iniciar as avaliações, em 2013, as plantas foram podadas para uniformizar o tamanho do pomar em função de replantios realizados em anos anteriores. O pomar foi constituído por 5,2 mil laranjeiras Valência enxertadas em limão Cravo, distribuídas em uma área de 10 hectares. Árvores de Casuarina cunninghamiana foram usadas como quebra-vento e aplicações de cobre (40 mg de cobre metálico por metro cúbico de copa; 0,6 a 0,8 kg cobre metálico/ha) e controle do minador dos citros (Abamectina 300 mL/2.000 L) foram realizados a cada 21 dias.



Fundecitrus e Fundação de Pesquisa e Desenvolvimento de Citros (CRDF), instituto de fomento à ciência da Flórida (EUA), financiaram o projeto, realizado em parceria com Iapar, Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), Universidade da Flórida (UF) e Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).



Frutos para mesa e indústria



 Behlau destaca que quando todas as medidas são adotadas de forma uniforme e em larga escala na propriedade, é possível reduzir o cancro cítrico ao nível exigido pela legislação, de até 1%, para a habilitação de colheita em pomares de frutos de mesa. “É importante ressaltar que neste experimento houve a necessidade de manter plantas não tratadas, o que pode ter contribuído para o aumento relativo da doença nas outras parcelas”, justifica.



Quando as medidas de controle são analisadas de forma isolada, o cobre ganha destaque. Plantas submetidas apenas a aplicações de cobre apresentaram produtividade menores (-16,2%, -13,9% e -9,4%), mas progressivamente mais próximas, ao longo das três safras, à média dos tratamentos que combinaram quebra-vento e cobre. Por outro lado, quando o cobre foi utilizado isoladamente, a incidência de frutos colhidos com cancro cítrico manteve-se muito acima (entre 15% e 30%) da exigida pela legislação para os frutos de mesa. “Assim, em pomares destinados à indústria, com prioridade para a produtividade, o quebra-vento apresenta menor contribuição no médio e longo prazos do que em pomares destinados à produção de frutos de mesa”, conclui Behlau.



O controle do minador, apesar de ter sido menos impactante, continua sendo uma medida de controle importante, pois os ferimentos causados pelo inseto prejudicam as brotações e o desenvolvimento das plantas.



De acordo com Behlau, o estudo aponta que os citricultores devem avaliar as características de seus pomares para definir quais estratégias de manejo do cancro cítrico devem ser adotadas. “O produtor deve considerar principalmente o destino da produção para identificar as melhores ações de controle”, aponta. “Outros fatores importantes são a suscetibilidade da variedade plantada, a favorabilidade climática à ocorrência da doença e a topografia do terreno, que implica maior ou menor exposição ao vento”, recomenda.



O pesquisador diz que o cancro cítrico responde muito bem às medidas de controle. "Neste pouco tempo desde que o manejo foi implementado em São Paulo, já foi possível perceber que os citricultores que fazem uso das informações geradas pela pesquisa estão reduzindo o impacto da doença nos pomares de forma eficiente. Por outro lado, negligenciar sua ocorrência pode trazer sérias consequências à produção”, afirma Behlau.



COMO ATUAM AS MEDIDAS DE CONTROLE?



QUEBRA-VENTO: reduz a dispersão da bactéria e a criação de ferimentos provocados pelo vento, o que leva à diminuição da infecção.



COBRE: forma uma camada protetora na superfície de folhas e frutos e previne a entrada da bactéria nos tecidos e o surgimento de novas lesões.



CONTROLE DO MINADOR DOS CITROS: atua sobre a forma jovem do inseto (larva), que provoca grande área de ferimento nas folhas, importante porta de entrada para a bactéria.




Fonte: Fundecitrus
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