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No atual ambiente cada vez mais competitivo, torna-se necessário que a produção de leite seja cada vez mais eficiente. A busca de todo produtor de leite é produzir mais usando a menor área possível e com a máxima qualidade. É por isso que o setor passa por um processo de intensificação ano após ano. Intensificar um sistema de produção significa utilizar da forma mais eficiente possível todos os recursos disponíveis.



Assim, a adoção da exploração tecnificada poderá ser dirigida para o manejo animal em regime de pasto associado à estabulação parcial (semi-confinamento) ou estabulação completa (confinamento total).



O free stall é um tipo de estrutura muito utilizado para confinamento de rebanhos leiteiros, em vários países do mundo. O sistema consiste em áreas com camas individualizadas, corredores de acesso e pistas de trato.



Diversos estudos já mostraram que há a possibilidade de se alcançar uma maior produção de leite com o uso do free stall. Esse aumento na produção é consequência dos benefícios que o sistema fornece. Confira abaixo alguns deles e como podem impulsionar uma maior produção de leite.



1) Possibilidade de controlar melhor as condições do ambiente



Isso permite melhorar o conforto animal e evitar flutuações de produção entre inverno/verão. Além disso, o sistema também permite uma rotina organizada que é essencial para a produção de leite.



Os bovinos são animais que gostam de rotina e que, ao que tudo indica, têm boa memória. São capazes de discriminar as pessoas envolvidas nas interações apresentando reações específicas a cada uma delas em função do tipo de experiência vivida, caracterizando assim um aprendizado associativo, do tipo condicionamento operante. Assim, a presença de pessoas conhecidas pelos animais durante o procedimento e com comportamento não aversivo contribui para diminuir os efeitos negativos.



Os bovinos por serem adeptos a rotinas, demandam um planejamento da ordenha para que se obtenha sucesso na colheita do produto leite. É necessário que haja uma definição de horários específicos para alimentação, descanso, e também para ordenha. É sabido que as vacas leiteiras se sentem mais confortáveis quando a oferta de alimentos é realizada pela mesma pessoa e nos mesmos horários.



2) Oferecer resfriamento adequado às vacas – com uso de ventiladores e aspersores.



Vacas estressadas podem sofrer uma diminuição de aproximadamente 20% no consumo de alimentos e 10% de eficiência alimentar (transformação do alimento em leite). Estima-se que no verão ocorre a redução de 10 a 20% na produção de leite comparada ao inverno. As perdas anuais na produção podem oscilar em rebanhos de alto rendimento de 500 a 1500 Kg por lactação. Estima-se também uma redução de 0,4 a 0,2 unidades percentuais na concentração de gordura e proteína do leite, respectivamente.



Em paralelo e como resultado do estresse calórico, ocorre um aumento na quantidade de células somáticas e uma baixa taxa de concepção, ao redor de 10% em comparação a mais de 40% em inseminações realizadas no inverno. Isto prolonga o intervalo entre partos e aumenta a porcentagem de descarte por esterilidade. Em casos mais intensos, pode acarretar uma diminuição na oferta de leite promovendo até falta de estabilidade nos preços pagos ao produtor.



Pesquisas científicas realizadas por grupos de estudos em todo o mundo evidenciam que vacas expostas a um excessivo nível de estresse térmico durante o período seco produzem cerca de 10 a 20% menos leite durante a lactação subsequente – mesmo que o problema de estresse térmico seja solucionado durante esse período– o estresse durante o período seco também tem um efeito negativo residual por toda lactação.



3) Facilitar o monitoramento do rebanho, como detecção de cios, acompanhamento pré e pós-parto, bem-estar animal, etc, 



Isso permite uma melhora nos índices zootécnicos da fazenda, o que acaba por gerar maior produção de leite. As vacas que são acompanhadas de perto possuem melhores condições de saúde, melhor controle de enfermidades e respondem melhor a todo o manejo realizado na fazenda, produzindo mais.



4) Otimizar o uso da dieta total



Vacas que são criadas em sistemas de confinamento do tipo free stall recebem um manejo nutricional especializado. A qualidade da dieta fornecida às vacas leiteiras tem efeitos diretos na saúde e eficiência produtiva do rebanho, bem como na composição do leite. Além da quantidade adequada de alimentos, e qualidade dos ingredientes utilizados, é preciso que a dieta atenda às exigências nutricionais dos animais que, por sua vez, variam conforme a idade e estágio de produção.



Esse é um tipo de controle que um sistema de confinamento do tipo free stall permite fazer, com possibilidades de separação de lotes de acordo com suas demandas e necessidades específicas. É o caso da fazenda Agrindus, por exemplo, uma das maiores produtoras de leite do Brasil que utiliza o sistema free stall, e trabalha com 12 lotes de vacas em produção de leite. A divisão é feita da seguinte forma:



• 2 lotes de vacas recém-paridas até 50 dias;



• 2 lotes de novilhas recém-paridas até 50 dias;



• 3 lotes de novilhas (primíparas);



• 5 lotes de vacas.



Porém, vale destacar que o sucesso no uso do free stall é totalmente dependente de: 1) fazer um projeto bem planejado, adequado às condições do terreno e às características do rebanho;  2) realizar um correto manejo diário, tanto de limpeza das camas, corredores, bebedouros e cochos, como também do manejo dos dejetos, ciclos de resfriamento, oferta de alimentos, entre outros.




Fonte: Educapoint
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