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Os dados trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para a soja e o milho trazem não só a confirmação da força da demanda por ambos os produtos neste momento, mas já começam a sinalizar que a safra 2021/22 dos EUA não será de decisões fáceis para o produtor norte-americano. 



Aaron Edwards, consultor de mercado da Roach Ag Marketing, explica que os estoques finais estimados para a soja em 5,2 milhões de toneladas são o segundo menor da história, enquanto os de milho, que vieram em 43,23 milhões de toneladas, apresentam a menor relação estoque x consumo em oito anos. 



"Em 2012, quando os preços alcançaram níveis bastante elevados, o cenário era parecido. E hoje ainda temos uma pressão de demanda", lembra Edwards, referindo-se ao ano safra 2012/13, quando a produção de grãos dos EUA sofreu uma quebra severa em função de adversidades climáticas e uma das piores secas do país. 



Assim, com uma oferta restrita, ameaça à nova safra da América do Sul também por conta da irregularidade climática, e a demanda muito intensa, com sinais de crescimento robusto e consistente para os próximos anos, a batalha por área entre soja e milho nos Estados Unidos para a safra 2021/22 deverá ser bastante acirrada. 



As decisões mais efetivas dos produtores americanos, ainda como explica o consultor, costumam chegar em março. Assim, o andamento dos preços e, principalmente, a trajetória da demanda nos próximos meses serão determinantes para as definições entre os produtores dos EUA. 



Também em seu reporte de novembro, o USDA aumentou sua estimativa para as importações de milho da China de 7 para 13 milhões de toneladas. Para muitos especialistas, este é um número subestimado, dada a necessidade chinesa muito maior do que o mercado tem visto até o presente momento. 



"Esses 13 milhões que o USDA estima são só de milho americano, isso já foi negociado. E eu acredito que o número final possa ser maior de 15 milhões de toneladas na importação chinesa. A China vai comprar mais e esse quadro é positivo, pois aliado a isso tem a quebra das safras da Ucrânia, da Rússia, e a incerteza sobre a América do Sul. Ou seja, a janela da oferta ainda está aberta, e a demanda, mesmo com a pandemia, está aquecida e não para", explica Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 



E destas confirmações pode sair boa parte da direção dos preços da soja. "Talvez a maior surpresa para o preço da soja venha do milho, porque estamos em um ponto em que a safra do Brasil, em vários pontos está atrasada, e estamos em níveis de preços tão altos para a soja compra área do milho nos EUA. A demanda por milho talvez seja a surpresa que ajude a soja a subir mais. Assim, começando o ano que vem, a relação entre os preços da soja e do milho é muito importante de acompanhar", complementa Edwards. 



Assim, entender se a China irá comprar, de fato, um volume ainda mais substancial de milho, "é um das notícias mais críticas no quadro fundamentalista dos próximos dois a três meses", acredita o consultor americano. 



O USDA trouxe, também em seu reporte da última terça-feira (10), as importações totais de grãos da China deverão alcançar um nível recorde no presente ano comercial, alimentadas, principalmente, por uma maior demanda do setor de rações. O milho deverá liderar o aumento das compras, como mostra o gráfico a seguir:



Importação de grãos China



Importação de grãos pela China com milho em azul, cevada em verde e sorgo em laranja - Fonte: USDA



"Esta expectativa é sustentada, principalmente, pela recuperação da suinocultura. Os preços do milho no mercado doméstico chinês têm registrado um rally desde fevereiro e, em outubro, alcançou seu mais elevado patamar desde 2015, de US$ 362,00 por tonelada", disseram os analistas do USDA. 



Preços milho na China



Gráfico mostra os preços do milho (em azul) e do trigo (em vermelho) na China - Fonte: USDA



Enquanto há projeções de forte elevação na demanda mundial por milho, não só por parte da China, e preocupações com a oferta global do cereal, para a soja o cenário não é diferente. O Brasil já avançou muito com o comprometimento da safra 2020/21, bem como acontece nos Estados Unidos, e há problemas sérios de clima que deverão tirar parte da produtividade sul-americana que sofre com o La Niña. 



Na Agrentina, terceiro maior produtor mundial e maior exportador de farelo e óleo de soja, além do tempo adverso, as preocupações políticas e econômicas também limitam a oferta. "As condições econômicas deverão diminuir as expectativas de aumento de área plantada. E a produção menor significa uma redução no esmagamento da oleaginosa", acredita o USDA. 



"O movimento de alta nos preços da soja mundo a fora é completamente justificável e deve durar por dias, se não semanas. E a PÁTRIA lembra que o USDA ainda não trouxe qualquer mudança para a safra 2020/21 do Brasil. Diante de tanta irregularidade climática, cortes de produção deverão ser ainda apresentados, principalmente com a janela de plantio se encurtando e pouco menos da metade ainda para ser semeada", explica Matheus Pereira, diretor da PÁTRIA Agronegócios. 



Frente a todas estas informações e mais as surpresas que ainda podem aparecer nos próximos meses, não serão decisões fáceis para o produtor americano. Alguns já, inclusive, compraram parte de seus insumos a preços mais baixos e agora conseguem, aos poucos, escolherem com mais tranquilidade, ainda como relata Aaron Edwards. 



"A demanda é forte o suficiente para justificar um aumento de área, de produção, e a batalha por acres aqui nos EUA vai ser disputada", conclui o consultor americano. 




Fonte: Notícias Agrícolas
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